quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

As verdadeiras bruxas sabem da sombra e do preço que se paga por viver sob elas
A força da natureza é sombria como a tempestade.
E essa força sombria, de alguma maneira, conversa com o seu lado escuro da lua, pink floyd, relógios derretendo, corpos derretendo nas chamas medievais
As bruxas de verdade não arrastam gnomos e duendes, pateticamente, pela corrente, na floresta, como animais de estimação. Essas são fadas disfarçadas... Quando cai a noite, A Grande Noite da Paranóia, sobre floresta encantada, se escondem, agarram-se a sua auto-ajuda de orelha de um best-seller qualquer...
A outra, a de verdade, acossada pelas vozes que não se calam, é que é engolida pela escuridão. Flanco aberto, espinho no peito, carne viva(o fogo), erva daninha em combustão, vai e mexe, mais um pouco, mais a fundo, temerária demais, roçando a beira do abismo.
Fiquem com suas filosofias de power point e, quando cair a noite, recolham-se às suas alcovas perfumadas - as outras vão beber do álcool da madrugada, atormentadas ao ponto de, em algum momento em que a noite de carnaval acaba e chega a quarta-feira de cinzas (cinzas da própria fogueira onde queimou a noite inteira), desejarem, insanamente, serem assim também...

quarta-feira, 1 de abril de 2009

A vida é a Véspera da morte

Falar o que eu penso a respeito da Véspera é fácil e difícil ao mesmo tempo. Clichê? Talvez... mas realidade.
Eu me pego dizendo isso sempre que me encontro com a banda: a Véspera é a melhor banda de rock de Porto Alegre. Exagero? Pra eles, talvez... Porque são humildes, pés no chão e sabem que ainda podem absorver muita coisa nova e evoluir. E isso é ótimo! Melhor do que se aceitassem o que eu digo e se dessem por satisfeitos.
Mas não escrevo estas linhas como o amigo que sou, e sim como fã confesso. E para os meus ouvidos de fã, de mero ouvinte, espectador, a Véspera é o que há de melhor no dito "rock gaúcho" (e nem sei se a banda se enquadra nesse rótulo, dadas as características atuais dele) e arrisco a dizer que no rock nacional também. Inútil fazer comparações que não levam a nada. Acho que a banda vai além dos rótulos e tendências. A Véspera é vida inteligente, é ar puro, é brilho nos olhos em meio a um imenso mar de futilidade, poluição intelectual e opacidão que é a nossa música de consumo hoje. Nem mesmo os ditos "intelectuais" da atualidade (sem nomes aqui, mas se tu não lembrar de uma menina de 15 anos que trepa com um trintão e um bando de nerds de Cuiabá que pensam que fazem folk-cabeça, entre outros, não sei de mais nada... hehehe) são páreo para os versos tremendamente bem escritos, os riffs, acordes, solos, batidas, arranjos e notas perfeitamente entonadas do Lucídio, do Marcelo, do Bonjour, do Renato e do Camino.
A Véspera é a melhor banda de rock desta cidade e uma das melhores do país por tantos motivos... Pelos temas que escolhem para cantar sobre, com os quais todos conseguimos nos identificar e, se cantamos junto, é porque falam de nós e não pelo simples fator "chiclete".
Pela riqueza de detalhes, cuja coleção de elementos aumenta sempre, à medida que agregam novas influências. Tudo com a supervisão de uma coisinha chamada "bom gosto", que é meio rara no rock e pop brasileiro.
Pelo talento e o tino de fazer somente aquilo que está ao seu alcance e fazê-lo bem. Sem exageros ou fome de soar complexo o tempo todo. Lucídio atinge notas altíssimas, mas é na simplicidade que sua voz cativa a quem ouve. É na emoção que passa ao interpretar as canções, sabendo exatamente que tipo de clima criar. O mesmo acontece com as guitarras do Marcelo e do Bonjour, nos baixos do Camino e na bateria do Renato (que sei bem, é capaz de muito). Todos estes instrumentos encontram na simplicidade um aliado à criatividade dos integrantes e o resultado é original, empolgante e capaz de trazer à tona as mais diversas sensações.
Acho que um dos sentimentos mais fortes que se apoderam de mim quando escuto a Véspera é um misto de prazer e tormenta.
Prazer por ver que a cada música nova eles se tornam mais e mais inspirados e inspiradores. Ver que cada mudança que fazem nas músicas é para melhor. Ver que cada idéia incorporada resulta em uma viagem dentro de um universo difícil de explicar com palavras, mas que ao fechar de olhos nos deixa envolto e, quanto mais estivermos entregues, mais emocional, profunda e bonita se torna a trajetória.
E tormenta por não entender o que leva o resto das pessoas a preferirem a menina e o pseudopedófilo, ou os portoalegrenses que não lavam o cabelo e usam o terno do avô quando era adolescente, ou a moça das pernas musculosas e definidas, que pula o tempo inteiro e canta sobre poeira levantando ou algo raso desse tipo.
Acredito, de verdade, que o dia que eu acordar, olhar à minha volta e ver mais pessoas envoltas no intenso "abraço" sonoro que é a Véspera, será um dos dias mais felizes da minha vida.


Conheça eles:
Website
MySpace

*Ou apareça toda a quinta-feira no Art&Bar (Silva Jardim, 16 - quase esquina com a Plínio).

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Radinho de Pilha


Cansado de ser o radinho de pilha amigo

Que a tudo acata,
que a tudo vibra.

Exausto.

De histórias urbanas,
Gogós sertanejos.

Horóscopos tortos
Comícios, festejos.

Retiraram-lhe o cordão umbilical;
novamente o itinerário denotava questão de tempo ao trágico ensejo.

A freqüência modulada descobria o véu da memória,
O chiado reticente era tal qual sinestesia insistente queremetia a um momento onde era divida uma história;

E ao passo do descompasso:

A vida.

Segue o rádio sua saga:
Segue.
O rádio.
A sina.

De ser mais que simples arauto transistorizado.

Mais do que lhe permitiam...

Mas foi um instante de descuido de seu amigo-dono

Que o radinho resolveu entregar os pontos:
Acovardou-se feito ele.

E chorou chiando

Jogou-se, arquibancada abaixo, abortando sua missão.

Não quis narrar o inenarrável...

(Produção conjunta by Ana Priscila e Eduardo Marques)

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

parafuso! cheers!

tuas pernas são como roscas
enroscam, cutucam



e sacam como rolha
num giro! póf!
parando o meu fuso.
Posted by Picasa

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

o fogo que arde




é o mesmo que queima

domingo, 9 de novembro de 2008


diz adeus às pedras no sapato
pois pela dor tudo se dilui
não se preocupe Ane
o lugar ao sol é logo ali
porque nessa vida
cedo ou tarde
tudo flui

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

John's birthday.



Hoje John Lennon estaria completando 68 anos.


E eu me dei conta disso assim:


Minha aluna de 8a série veio trazer o caderno pra eu corrigir os exercícios de ingrish e lá em cima estava escrito: "Happy Birthday John". Com um coração desenhado de canetinha do lado.

Uns tempos atrás ela me perguntou qual meu beatle favorito. Eu não consegui responder.



Happy birthday, John.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Bons americanos...

Tava olhando o blog aqui e notei um espírito engajado em informar sobre as eleições americanas. Só não saquei bem o teor da intenção, se é meramente informativo, pelo fato dos EUA serem essa potência que são, exercendo influência em nossas vidas em todos os sentidos (principalmente sobre aqueles que oferecem resistência a todo e qualquer elemento da cultura ianque), ou se é por medo de alguma ameaça iminente desses "vilões".
Pobre povo americano, nem sabe que é vilão pro resto do mundo. E escrevo isso por experiência própria. Do tempo que passei morando lá, essa foi talvez a coisa que mais me chamou a atenção. Existe uma ignorância inocente nas pessoas de lá. Culpa do governo, talvez? Não quero entrar nesse âmbito, mas o fato é que são, em grande parte, boas pessoas. Boas pessoas que acabam passando por arrogantes aos olhos do resto do mundo por simplesmente não saberem NADA sobre este.

Há bons americanos. Este aqui é um deles:



Quem quiser saber mais: www.butchwalker.com

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Ficções ( em homenagem à Borges)

Creio que foi Foucauld ( cito de segunda mão, não consegui ainda passar das primeiras páginas) que falou a respeito de "acreditar no discurso". Isso me leva à idéia de aceitação do pacto ficcional. Aquela coisa de comprarmos a idéia do que lemos, compactuar com o autor, aceitar o que se lê como real.
Mesmo que se saiba que é ficção, que não é real ( e mesmo o relato de experiências verídicas, quando escritas, são sempre uma representação), compactuamos. Sentimos, sofremos, rimos, especialmente com aqueles escritores bruxos ( do Cosme Velho ou não). As personagens se tornam quase que pessoas reais e palpáveis.
Mas falo de literatura. E ponto.
Nova linha, parágrafo: a vida não é literatura, aliás, Pessoa disse, o sol doura sem ela. Eu não vivo sem, mas não espero que outros sejam como eu. Gostaria até, mas não espero mais. Mas: a vida é isso aí, do cotidiano, de abrir os olhos, sair pra rua, coexistir - pelo menos em teoria.
Então chego onde eu queria realmente chegar e não conseguiria sem uma básica introdução: é possível aceitar o pacto ficcional, acreditar no discurso da vida chão-chão?
Antes de ser possível ou não, deve-se fazer isso? É assim mesmo que tem que ser?
Devo estar sendo naive ( french words em tua homenagem, Nisemblat), mas, eu ainda não sei jogar o jogo. Esse grande teatrão que virou a vida, desde o sorriso falso, a aquiescência forçada, as amabilidades fúteis ( até então, digamos, estaríamos no terreno "soft", talvez) ao engolir sapos que ficam trancados na garganta.
Porque o bizarro, o irreal, o absurdo, o insuportável, tudo vai virando discurso que se aceita, pacto ficcional que saiu da literatura pra vida-vida mesmo. Aquela de ir trabalhar, pegar ônibus, atravessar avenidas, frequentar o comércio. Digo: não é possível que as pessoas não percebam que tudo é, cada vez mais, uma representação e a gente é, na maioria, aqueles extras que passam ao longe na cena e que nunca levam o nome nos créditos. Que tudo é uma grande manipulação. Cada um escuta, acredito, o eco da verdade em uma altura diferente. Eu, às vezes, quase me ensurdeço - mas fico pensando se eu mesma não estou fabricando esse efeito sonoro pra me candidatar ao Oscar desse categoria imaginária pra esse filme extenso e incompreensível do qual eu faço parte. Da qual a comida, a cor em voga, a marca, a bebida mais nova, o arremedo de moda que respinga nos balaios e liquidações das lojas de departamentos, fazem parte.
Tudo vira camada sobre camada de algo genuíno, primevo, que vai desbotando, vai esmaecendo.
É talvez, uma tentativa de buscar o meu primitivo. Bonito dizer que a arte, a literatura, salva. Salva porque ilude. E ilusão é proteção. A arte imita a vida, lembra? Mas quando a vida começa a imitar a arte, e o surrealismo, que devia estar dentro da moldura daliniana, por exemplo, começa a invadir e transformar a vida-vida nessa representação esquizofrênica, nesse frenesi de mentiras e discursos que de tão falsos são críveis, eu quero que a arte seja mais arte e menos vida.
A vida, esse negócio genuíno e primevo.
E escrever, esse é o meu genuíno e primevo. Mesmo que seja um tatear na neblina, ainda é o espaço em que o pacto ficcional está em seu lugar à parte: no seu verdadeiro lugar.

Prefab Sprout - If You Don't Love Me

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

sábado, 13 de setembro de 2008

O Processo Eleitoral Americano

Uma análise detalhada do processo eleitoral americano, a não perder, é fornecida por este site:

http://idelberavelar.com

É Bom Que Lembre!

Se a vida é dura, mais dura é a razão que te sustém!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

não sou mágica, não!



mas meu coração, a hora que eu quiser
fica aqui, na minha mão...

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Hipocrisia (eu quero uma pra viver)

Hoje eu descobri que eu sou um grande hipócrita. Devo ser. Desses que se gabam de ser tão diferentes das demais pessoas, mas que no fundo querem a mesma coisa que todas elas. Desses que listam suas qualidades como se fossem os únicos no mundo que as portam. Desses que criaram uma série de pré-requisitos para ser amado e, em conseqüência disso, não encontram amor. Devo ser. Desses que clamam merecer o amor de uma menina diferente, mas querem na verdade uma menina comum, pois sabem que meninas diferentes são sinônimo de problema. Desses que estufam o peito para dizer o quanto não dão importância para o que o mundo pensa de si, mas que morrem de medo da simples idéia de ser odiado por alguém. Devo ser.

Um hipócrita. Desses que não perdem seu tempo lutando quando sabem que a batalha está perdida. Mesmo se o coração está mandando lutar. Desses que fingem esquecer, mas lembram e convivem com a dor disso silenciosamente. Devo ser.

Um grande hipócrita que ainda pensa no que já deveria estar morto e enterrado. E lamenta o fato de não ter poder nenhum para mudar a situação.

É. Devo ser.

(este texto também pode ser lido no blog O que aprendi com o Kama Sutra: com fotos coloridas de Hitler)

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Joss Stone - Right To Be Wrong

Escolhida por Obama para compor o Hino de campanha.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Paul Leonard Newman - Homenagem


Actor extraordinário, cidadão socialmente empenhado, filantropo, Judeu.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

deserto

É natural que, de repente, eu tenha esquecido o que procurava?
E se perdi alguma coisa no caminho que não me faz falta?

Um eco, um vento,
Uma febre imbecil.
Deveria voltar pra buscar???

...