quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

N
têm pessoas que me inspiram pra escrever
têm pessoas que me inspiram pra coser
há as que gosto dar de comer
e outras simplesmente dão-me o sopro de viver
mas não pense o leitor apenas
que na declinação segunda eu ei de me abster...

no meu ministério do ar
há as que me inspiram para fotografar...


beber faz mal à saúde e pode levar ao ataúde.
portanto, a fotografia é a meramente decorativa.
::
zim, dzegorativa.
azumo.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

My favorite movies ( part one )


William Shakespeare em...
O Poderoso Chefão

Machado de Assis em...
O Mágico de Oz

Caio Fernando Abreu em...
O Jardineiro Fiel

Victor Hugo, Simone de Beauvoir, Gustave Flaubert e Alexandre Dumas em...
Paris, te amo

Paulo Leminski em...
O Último Samurai

Fernando Pessoa em...
As Sete Caras do Dr.Lao

Érico Veríssimo em...
Meu Primeiro Amor

E em breve, nas melhores casas de cinema...

Ane Minuzzo e Mariana Nisemblat em...
Quero ser Grande




domingo, 3 de fevereiro de 2008

Paris, te amo

Como se pode amar alguém ou alguma coisa ou algum lugar que nunca conhecemos? Que nunca conhecemos face to face, eu digo. Pois eu sou apaixonada por pessoas coisas lugares que nunca tive contato físico. Por épocas que não conheci. Pela viagem de trem pelo interior do Rio Grande que a minha mãe fazia com a mãe e com as irmãs. Pelas viagens de caminhão que meu pai fazia muito antes de eu nascer. Pelo primeiro cacho de uva que o meu nonno, que eu não conheci, colheu de sua primeira parreira. Por aquela praia da Bahia em que a minha mãe e a minha tia estavam naquela foto da década de 50.
Mas existe um lugar no mundo, um lugar que já faz parte do imaginário universal, eu creio, que me apaixona mais do que tudo e todos que conheci apenas na imaginação.
Esse lugar é Paris.
Clichê, eu sei. Mas fazer o quê?
E para reacender esse amor, que ia ficando um pouco amortecido pelas inevitáveis feiúras de nossas cidades ( que também tem suas bonitezas, mas às vezes tão escondidas), assisti "Paris, te amo".
Ah, e como...
Pensei, putz, outra comédia romântica? Não, não posso mais, dei um basta nelas, depois da última que eu vi, que não lembro, ainda bem, do título, mas sei que desperdiçava uma atriz como Julianne Moore. Mas saí tão saturada dessa noção deturpada, superficial, comercial do amor e afins de Hollywood que fiquei nauseada. Mas, espere, Ane, prestenção: Paris, te amo não foi feito em Hollywood. E é um filme feito por nada menos que 20 diretores de vários cantos do planeta.
O resultado poderia ser uma salada indigesta, mas não é isso que acontece. É um desfile de pontos de vista muito pessoais, muito diferentes um do outro e todos, todos eles, muito interessantes. Bem escritos, bem feitos: parece um oásis. Cada história acontece em um bairro de Paris, e a cidade, sob a lente desses cineastas, é - lá vem clichê - um poema vivo, iluminada, linda, como um ninho, como um berço, como um mergulho na beleza.
E o amor é visto de ângulos inusitados - há o amor homem-mulher jovens, maduros e idosos. Há o amor de mãe e filho,em uma triste e bela fábula com Juliette Binoche, e talvez no mais político, ou social, dos episódios, de Walter Salles e Daniela Thomas. Há o amor entre dois caras. Há o amor entre um humano e uma vampira, no melhor estilo Sin City. Há o amor inter-racial. Há o amor que quase se realiza. Há o amor pela cidade em si, no pungente, dolorido, fundamente melancólico episódio final com uma incrível e desconhecida atriz americana. O que mais me fisgou foi o episódio com Natalie Portman que conhece um estudante cego - é uma história perfeitamente encadeada dentro de seus 5 ou 6 minutos, é inocente, belo, delicado e muito bem escrito. Talvez, ao assitir esse episódio específico, vocês façam como eu, que adoro um repeteco: repitam algumas vezes, pois há muitos detalhes a se descobrir em cada vez.
Sei que estou me derramando em elogios. Mas é que estou apaixonada, movida por esse sentimento mais velho que o mundo. Então, fico assim, meio irracional, rendida a minha passionalidade que nunca foi pouca mesmo.
Paris: Marlon Brando dançando lá o último tango, Simone e Jean-Paul, Victor Hugo e sua criatura de Notre-Dame, o can-can tantas vezes retratado por Lautrec no Moulin Rouge, os impressionistas escandalizando a academia,Van Gogh perdendo-se em Monmartre, Jim Morrison dorme lá seu sono final. Paris dos cafés na calçada, Paris imaginária, Paris que ainda existe.
Paris: te amo.


virtual virtuose (com base em rima fácil)

estabelecer por essas linhas flutuantes virtuais uma tentativa de conexão
lembrando alguma quase esquecida noção sobre recepção
SOS sem identificação, abuso desenfreado de sinais
eu, tu e eles, Os Outros, quem sabe assim, existamos mais

são para alguns pares de olhos que o hermético se torna legível
versos salvos de um abandono com data de validade, perecível
devagar, letras formam palavras, símbolos irremediáveis já estabelecidos
para os teus olhos, quem sabe, meus signos formem sentidos

e esta tela, por um instante, se torna um espelho de Alice
portal ambíguo pelo qual sempre se esperou que existisse
e esse instante, subjugado pela vontade, assume feição de eternidade
o mundo palpável se verga e esquece daquele prazo de validade

ah, se Alice me visse agora
transformar em eterna essa minha curta hora
se Alice pudesse ser eu, e eu Alice
duplaríamos em um roteiro, escrevendo sobre tudo que nunca se disse

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

liames de lia


Para a minha mãe, que de Lia teve muito.
né CecíLIA?



Lia muito lia
as órbitas imóveis
abaixo de chuva
abaixo de neve
Lia!
abaixo de febre?
em passo de lebre!
nas filas mais breves
ali
em pleno vendaval



quem diria...
o sem-pestanejo
dos olhos intactos
no tempo a passar...
mas Lia que agonia!
daqui a pouco é carnaval!



os olhos ali, presos
os ponteiros lá longe
soltos
quando via já era natal
mas tudo valia
sua leitura era atemporal



Lia, por que te prendes a esses liames?



deixa-me
os liames não me são arames
aliás
são eles meu mundo real

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Bizunga inventa o mundo



Os leitores provavelmente pensarão que esse texto não é de minha autoria, pois como um gato escreveria dessa maneira?

Acontece que me humanizei em proporções alarmantes com a Mariana, e nessa convivência de onze anos, eu aprendi muitas coisas com a minha dona. Uma delas é quando tudo em derredor está conspirando contra a maré do nosso barquinho, a gente pode inventar algumas brincadeiras para afastar as borrascas. Há a brincadeira de Lili inventa o mundo, baseada na escritura de Mário Quintana, e da cabra-cega, vinda do folclore de cada criança. As duas são mais ou menos parecidas e funciona assim: a gente fecha os olhos e imagina que tudo aquilo que está incomodando, nos causando sensação ruim e assombrando a vida, nada mais é do que uma nuvem passageira. E a gente cria, então, um mundo faz-de-conta, como se colocássemos todos os pensamentos bons pra fora da cabeça, projetando-os o tempo todo no cenário do dia-a-dia.



Imagina-se o corpo boiando em um mar de rosas cálidas, com aromas suaves espargindo seus polímeros, ali, sobre nós, na rendição do bem bom da ágüinha fresca. (claro que não gosto de água, mas na imaginação tudo vale!)
Não pode perder a concentração! o Real não admite que o Sonho seja mais real do que a realeza da sua verdade. E nessas horas, por mais que uma certa circunstância obscura possa insistir em passar a sua película Do que Existe de Fato, a gente faz um esforço maior ainda, como se fosse ganhar um filhote, não deixando essa projeção seguir curso, e transforma essa força de parto numa crença forte que os sortilégios de todas as venturas estão, sim, no plano principal, bem, bem mais à frente do real.



E assim se vai vivendo, vitoriosa, olhando pras coisas boas que estão ali, pouco a pouco sendo projetadas no painel que se escolheu do jeito da gente. E nessas horas esquecer de pensar no tempo a passar é florescer...


Continua-se brincando com a imaginação... tendo filhotes e filhotes de coisas boas.


O vento e as brisas continuam a soprar... quantas crianças nascem! quantos trens partem!


quantas melenas voam! quantos pássaros cantam!


e quando se vê não é que o mar de rosas vem de verdade?


cada um, que entrou na brincadeira, continua sempre a ondular, sendo banhado à sua maneira no seu mar de rosas, margaridas, amor, roma, raul ou luar...



basta só acreditar!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Conto Sobre Dois


Ele chega todo empolgado, escolheu um filme do Luis Buñuel pra mostrar pra ela. Põe o seu filme primeiro, obviamente, é um clássico para os apreciadores da sétima arte.
- Olha só que mestre! Sutileza e genialidade pra colocar em evidência todos os podres da sociedade burguesa. Sabia que ele era amigo do Dalí? Influenciou nas idéias surreais que ele tinha.
– É, o Almodóvar é tri...

O outro, que ela escolheu, comédia romântica com a Drew Berrymore. Ele olha meio desconfiado, ela acha o máximo. Depois do clássico final com ar de felicidade eterna ela o abraça sorridente. Ele pensa: - Preciso ver mais comédias românticas.

Ela é gremista fanática, assídua no estádio. Desmarca compromissos pra ver o Grêmio na Libertadores. Ele fica puto, mas ao menos não estamos mais nos anos 90, logo esse time do inferno perde. Ele pensa. Depois de uma discussão, por causa do futebol, ele decide ir com ela em um grenal com a camisa do Grêmio só pra agradá-la. (isso é que é amor!). Ela adora a idéia mas acha melhor não. – Vai que teu time faz um gol e tu comemora no meio da torcida do Grêmio.
- Ai amor, mas eu queria taaaaaanto...

Ele comenta sobre O Pequeno Príncipe (todo mundo já leu O Pequeno Príncipe):- Que livro maravilhoso, não é somente uma história sobre a inocência infantil, é muito mais. Sobre amizades verdadeiras, amor, ética, sobre o olhar... “O essencial é invisível aos olhos...”- Eu li vários livros da Coleção Vaga-lume na escola, mas desse não me recordo. Lembro do Escaravelho do Diabo e do Caso da Borboleta Ática.

Ele espera impacientemente ela terminar o make up.

- Porque você demora tanto?-
-Pra ficar bonita, pra você...
- Mas você já está desde ás 9 na frente do espelho, estamos atrasados. To pronto desde ás 8:30.
- Claro, bermuda, camiseta e tênis, como é que vai demorar.
- Deve ser porque não quero ficar parecido com aqueles teus colegas engomadinhos que parecem Pastores da Igreja Universal.
- E os teus? Fizeram promessa pra não fazerem a barba?! Deviam formar uma banda: “Os Rolling Stones Falidos”
- Os Stones não usam nem nunca usaram barba.
- Ah, sei lá... Los Hermanos então! Fica até melhor: “Los Hermanos Falidos”.

Nota mental: #@%#!!$*#@!

- Me diz uma coisa por que você decidiu fazer Administração?
- Não sei, tem a ver comigo... sei lá. Algum problema?
- Ah, sei lá... Acho que é um curso que não privilegia a reflexão.
- Ta me chamando de burra?
- Não... não... Só acho que ensinam mais a operar do que a pensar sobre o todo.
- Então faz o seguinte, quando teu carro estragar novamente fica refletindo sobre o todo e não vem pedir o meu emprestado. Mas, acho que fumar aquela “samambaia” que tu fuma deve ser bom pra ficar beeeem reflexivo também né? Realmente tu foi muito reflexivo quando veio falar comigo no msn: “E ae gatinha quer tc?”
- Era uma brincadeira, ironia,saca?

Olhar afetistraçalhador[1]

Na festa ela entra e já vai pra pista encontrar as amigas (mulher querendo dançar ninguém segura). Ele fica ali, faz um jeitinho, algumas variações do clássico passinho da quinta série, mas definitivamente não tem a ginga malemolente. Pega uma cerveja (é bom ficar segurando a ceva porque nunca se sabe o que fazer com os braços) e fica observando-a. Definitivamente ela arrasa na pista, chama atenção de outros homens e, ele se sente mais senhor de si. Esquece tudo que aconteceu a pouco e relembra todos os bons momentos que tiveram até então. Como ela era simpática, carinhosa, atenciosa e por mais que o criticasse e ele ficasse emburrado, sabia que isso fazia bem, tipo coisa de mãe e filho. E fora isso, ela tinha um beijo, que arrepiava a espinha, dava nó no cerebelo, derretia que nem manteiga. Ficou confabulando porque sabia que ela definitivamente não era o “tipo” de mulher que ele sempre idealizou. Se não a conhecesse nunca iria chegar pra conversar com ela numa festa. Fez pensar que a convivência tinha revelado coisas que iam muito além daquela mulher gostosa que dançava a sua frente. Das diferenças de vida que cada um tinha com o outro, e que, na verdade, ela preenchia espaços cardíacos que ele desconhecia até então.
Ela notou que ele a observava com um sorriso e veio em sua direção, passa a mão no seu pescoço e lhe fala no ouvido. Se vira, dá dois passos e retorna: - vou te mostrar como sou “reflexiva”, vou desvendar o maior sofisma da Filosofia até o presente instante da nossa parca e transitória existência!

- Ahahaha... E qual será oh Sibila de curvas estonteantes?
Ela se aproxima e fala ao seu ouvido: - Bom, não sei bem de onde viemos, mas sem bem pra onde vamos depois.
- Mas, não se assuste com hiperbólica revelação oh pequeno gafanhoto, porque agora demonstrarei meus iniguláveis poderes de adivinhação.

- Humm... Que vais adivinhar mestra?

- Vou descobrir o que você estava pensando sobre mim quando me olhava.

– Ah é? O que era?

- É muito simples meu Pequeno Príncipe: “O essencial é invisível aos olhos...”

[1] Afetistraçalhar: V.L. Olhar feminino que denota irritação. Expressão de muita raiva através do olhar.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Fábula da Verdade

"Um dia, a Verdade andava visitando os homens, sem roupas e sem adornos, tão nua como o seu nome. E todos que a viam viravam-lhe as costas de vergonha ou de medo e ninguém lhe dava as boas vindas. Assim, a Verdade percorria os confins da Terra, rejeitada e desprezada.
Uma tarde, muito desconsolada e triste, encontrou a Parábola, que passeava alegremente, num traje belo e muito colorido. - Verdade, porque estás tão abatida? - perguntou a Parábola.-
Porque devo ser muito feia já que os homens me evitam tanto! - Que disparate! - riu a Parábola - não é por isso que os homens te evitam. Toma, veste algumas das minhas roupas e vê o que te acontece. Então a Verdade pôs algumas das lindas vestes da Parábola e, de repente, por toda a parte onde passava era bem vinda. - Pois os homens não gostam de encarar a Verdade nua; eles a preferem disfarçada."
(Conto Judaico)
(Autor deconhecido)

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Volver

Esse texto já é um pouco antigo, de setembro lá do ano passado, o distante 2007. Mas li uma reportagem sobre Penélope em uma revista-de-sala-de-espera e me lembrei do filme. Então queria partilhar isso com ustedes, antes que ele passe na Tela Quente. Mas que digo? Embora seja caliente, não passaria nesse dia, creio eu. Enfim, talvez no extinto Carlton Cine, alguém lembra?
Vou ver Volver. Amanhã é dia de acordar cedo, diz o lado caxias da consciência. Mas...alguma coisa, do outro lado do cérebro, naquela região tão inexplorada, te diz: vai que rende.Então tá, meia volta, volver. Vou ver Volver ( perdoem o trocadilho infame, mas é irresistível, aguardem os próximos).E o filme começa, sinto certo temor, afinal, Fale com Ela ainda repercutia de várias maneiras. Pode um artista se superar?Sim, pode. Mas eu ouso dizer que neste filme Almodóvar não se supera. Talvez a obra máxima tenha sido Fale com Ela? A que resumiu tudo, até no título. Falem com a gente, rapazes, esse é o recado de um cara que saca muito as mulheres. Ele não saca de mulher. Ele saca da mulher.
E, depois de Fale com Ela, ele vem com Volver, que poderia ter um subtítulo ( graças a Deus que dessa vez não puseram) como "Elas Falam".Em Volver, a mulher é alpha. Ela supera o seu próprio rótulo de "sexo frágil" e segura todas. Com paciência, com determinação. Ela acolhe seu próprio destino e paga o seu preço de sofrimento. E ainda tem tempo de carregar na maquiagem, usar roupas coloridas e dar muita risada.Os personagens ( vou usar o feminino que na literatura a cerca da dramaturgia se usa, mas muito mais porque estamos a falar de poder e glória ), digo, as personagens tem histórias de vida como eu, como tu, como qualquer um tem,seja em que confim perdido do planeta. Beijam-se com real afeição, entre amigas - existe uma irmanação, acima da competição. Um sentido realmente prático de quebrar galhos, que é inerente ao feminino, emerge no melhor sentido de "uma mão lava a outra". Reclamando, explodindo, virando a cara, como é na vida dos mortais. Quando Penélope Cruz chora, sua maquiagem fica borrada e ela tem o rosto inchado. Mas a vida tem que continuar: amanhã há que se levantar cedo. E ninguém, só mesmo em Hollywood, consegue levantar com o baby-liss intacto na manhã seguinte.
Tudo isso pra dizer que: Volver é tão seu título como há muito tempo não se via. As personagens se dão o direito de voltar atrás. Se dão o direito de voltar a vida. A mãe ressuscita - a morte, na "película", é um disfarce que esconde decisões drásticas. As personagens se dão até, o direito de matar, em nome do que é de mais instintivo na sua condição humana. E esse direito bebe na fonte dessa coisa tão subestimada, tão deturpada por estranhas representantes do nosso sexo, tão escondida em certos interiores, que é: o poder. e sua reação, a glória.E esse poder, que muitas vezes vem seguido de glórias delicadas, escondidas, quase invisíveis, é como um fio condutor que passa de geração para geração. Mas como boas mulheres, carregam também a marca da tragédia. Que parece que vem pelo sangue ( coisa que tem participação no filme, o vermelho maior, o vermelho original ) - o que acontece com a mãe, repete-se com a filha, e se mata, e se morre em vida, e se suporta, em nome de algo muito maior. A espera é inerente a condição feminina, mas o poder, o poder quando escondido e reavivado, transforma a espera em ação. E a glória, cada uma escolha de que maneira ela vai se dar. De alguma forma, ela vem, tão camuflada que nem sempre se percebe. Hay que estar despierta.As flores, vermelhas, se abrem nos créditos finais - todas as flores são manifestações de algo que precisava nascer. A beleza das personagens se traduz nas rugas, nos sapatos baratos, na pele não tão boa, nas marcas de uma noite ruim. Se traduz nas coisas que se cala e nos gestos silenciosos.Muy bien hecho, señor.
Almodóvar nos fala. Nos celebra. Nos coloca de novo no nosso posto de deusas, de verdadeiras sacerdotizas espalhadas pelas ruas de uma cidade. Mas, pensei: de uma forma muito humana, muito verdadeira, muito mortal. Poder e glória reside também na efemeridade da flor - estejamos acordadas no momento de se abrir. Hay que estar despierta.Meia volta, Volver. Vá ver, não concorde comigo, sinta-se teleguiada (o)-atenção, aqui neste texto o (o) vem depois do a - por minhas impressões, não importa.Só peço: escute. Ele fala com a gente. Ele fala com elas. Ele deixa elas falarem.
Ane

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008






bah, preciso voltar para Porto, ai, muita saudade. Recífilis é o ó!
me sustente lavo roupas e pratos, cozinho mal, mas tenho o gênio em sexo.


pois sim. isso, volta aos pampas, ao provincianismo camuflado de cultura.

volta.

isso aqui é praga braba, - uma vez na mandinga açoriana, difícil não fazer parte do clã farroupilha.

éissoaê, volta a esse mar que virou sertão, vem ver o gado fumanchu secando às ganha feito um charque, e vem, vem logo brindar em meio às dialetais miadas do berlim-bonfim.

vem recitar o soneto Mazah.
Mazáááááá dos meu, isso aqui de viver aqui é dos mais tri loco na moral, e ainda tem Polar pra tu tomar"...

toma, toma..

toma uma Polarzinha na tua velha província e veja que a merda sempre será melhor do que a bosta.

mazáááááhh!

ah, cara, ficar sem a estátua do Laçador é muita mão! ela simplesmente faz uma baita falta na minha vida, tá!!?
tá.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Cotidiano

Da euforia do enredo
Fez-se a apatia do engano
Teatro estranho onde o sorriso jaz
...preto e branco...
Trincheiras conjugais
Gentilezas burocráticas
Camas diplomáticas
...cotidiano
...


o feio só é feio quando é feio pra você.
::

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008



o barco dorme


em cima da água


e o sono ondula

domingo, 20 de janeiro de 2008

Anjo torto

Quando eu nasci, segundo relato da minha progenitora, ela estava sozinha no quarto do hospital. A enfermeira já voltava, o médico já vinha. E então eu nasci, simplesmente nasci, sem dor, sem gritos, gemidos ou ranger de dentes.Talvez por isso aquela estrofe de Drummond me impressione tanto desde a infância: a única explicação talvez seja de que ela não estava realmente sozinha, que havia algum anjo torto por lá. Pretensiosamente eu me enfilero com outsiders desse mundo, pra desafinar o coro dos contentes... A arte salva mas também desgarra um pouco, right? às vezes dá aquela vontade de cantar com eles...
Agradeço a minha amiga Lu Glaeser pela letra. Flor germânica e filósofa dos pampas partindo pra SP, tão longe daqui.


LET'S PLAY THAT
Torquato Neto (musicado por Jards Macalé)

Quando eu nasci
um anjo louco muito louco
veio ler a minha mão
não era um anjo barroco
era um anjo muito louco, torto
com asas de avião

eis que esse anjo me disse
apertando minha mão
com um sorriso entre dentes
vai bicho desafinar
o coro dos contentes
vai bicho desafinar
o coro dos contentes

Let's play that
Do CD Torquato Neto - Todo Dia É Dia D
Vários Artistas, Dubas Música, 2002

sábado, 19 de janeiro de 2008

www.relantionship.web.com

toda relação vira uma teia
você, quando vê, se enleia

sendo o de mosca o seu papel
te prendem, te devoram
e o doce
vira fel

e quando a aranha é o seu personagem
tira, do outro, à força
o direito à viagem
mais do que isso:
o da escolha do lugar
de aterrissagem

mosca, supostamente inocente
aranha, tecelã paciente

a teia é fina
mas é letal
você vai pra onde se destina
o amor nem sempre tem moral
e a picada
pode ser
fatal

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

PG


deixa eu sortear uma palavra agora.
não, vou sortear duas. agora. neste momento.
então, eu coloco a mão dentro da antiga sacolinha alaranjada onde costumo guardar as palavras...
e...
veja só! quanta coincidência! como pode?
releio mais uma vez para me certificar do que os meus olhos lêem e ...
pronto!
...
..
.
as palavras....
as palavras são:
adivinhem pombas!
nenhuma idéia?
tsc-tsc-tsc.
tá bom, dou uma pista fresquinha de cada inicial saída da sacola:
P e G
ahãm!
isso mesmo.
PODER & GLÓRIA, baby.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

A curva do caminho

Uns dizem que a infância é a melhor fase da vida. "O menino é o pai do homem", e dele se arvora com direitos adquiridos. Direitos inerentes à função de pai. Se o menino é pai do homem, talvez fosse mais fácil criar uma idéia de Deus. ( Mas isso deve ser um capítulo à parte, como aquele conto de uma antologia qualquer que deixamos pra ler por último, porque o início estava desprovido daquelas setas fatais que já te atingem de primeira ao primeiro passar de olhos ).
Cruzando a curva da terceira década,ao olharmos pra trás, onde percebemos que o pai do homem nos acena alguns metros mais distante, sussurro onde o vento é mais capaz de transportar meus sons: pai, porque me abandonaste? E eu mesmo respondo, dois em um:perdoa-os, eles não sabem o que fazem. Perdoa a ti mesmo, habitante da curva do caminho. Perdoa este pai que lá no início, tábula rasa, não sabia da curva. Mais difícil, talvez, seja perdoar aqueles que disso sabiam e que te forjaram uma paternidade que depois te mostraria ser tão solitária.
Não é para ser hermético, então esmiucemos ( alguns verbos no português ficam realmente freaks em sua conjugação). Para quem teve uma educação católica, em nome da obrigação que fosse, a noção de pecado faz do pai-menino uma espécie de ferida-aberta-para-sempre. E logo naquela fase tenra, idílica, a fase de forjar a paternidade. Logo ali a ferida se abre, em nome de algumas leis atribuídas ao divino e que foram criadas séculos antes que o teu átomo primevo existisse. Semanas e semanas de martírio antes da primeira confissão - de repente, aquilo que o corpo fazia instintivamente, tinha um nome: pecado. O pai do homem, o pai-menino amadurece de sopetão, acreditando, sem escape, de que eles, Os Outros, sabem o que fazem.
Pai-menino, tábula-rasa, descobriu lá atrás que o pecado é o pai, tão velho, da culpa. Observo meu pai me acenando, lá atrás: quero ensinar a essa criança que tudo é bem mais relativo do que parece. Quero ensinar ao meu pai-menino que eles, Os Outros, nem sempre sabem o que fazem. Que aqueles escrafunchos na ferida recém-aberta devem ser responsabilidade daquele que empunha a agulha. De que a palavra "culpa" não deve constar tão cedo no seu dicionário. Que outras palavras que eu sei agora ( que ele saberá depois), aqui, na curva do caminho, das quais lanço mão, podem ter um significado muito mais limpo, muito mais livre.
Meu pai-menino não é um menor abandonado - faço dele um símbolo de alguma resistência ingênua, ainda utópica, que teima, depois de tantos muros ruírem, em existir. A operação de salvamento do pai-menino urge ser feita aqui, agora, já, nesta curva do caminho.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Que dia é hoje?

hoje é dia de abraçar, dar beijo bom e ficar em silêncio
porque a voz lá de dentro quer a palavra
silêncio, a voz de dentro é juíza togada
ela bate o martelo - e a sentença do dia é fazer poesia!
o bulbo, na quietude do inverno - Tum - Tum - Tum no peito
e tu, veja só, nem pisca direito
um olho no outro olho agora demora
pois não é que é a hora?
Sim , é hora
de brincar com palavra amora
separa, não chora
eu não vou embora
brinca, ora!
é só amor - a
em amor há
e há?

Mariana Nisemblat

domingo, 13 de janeiro de 2008

butterblat


no ciclo de larva
tudo armazenava
rompida crisálida
deixa a hibernação
e na existência breve
voa a um rumo incerto
o tempo não lhe pertence
há apenas uma estação
para na floração correr riscos
revolucionando jardins

domingo, 6 de janeiro de 2008

OBAMA

Com toda a certeza!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

nisemblatiando IV


-mãe vamos tirar uma foto?
-vamos!
-mas tem que fazer bico, sabe?
-bico?
- é, como se tu mandasse um beijo para as pessoas.
- assim?
- é, então prepara.
- preparei.
- 1,2, 3 e foi!





-olha! que lindas nós ficamos!
- é verdade, mariana.
- gostou mesmo?
- sim, gostei. mas uma coisa é inegável.
-o quê?
-eu tenho uma cara bem mais inteligente do que a tua.
-ah, e alguma vez eu duvidei disso, mãe?



Y

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

NECESSÁRIO!

Mais do que nunca, são as coisas que servem as pessoas, e não o inverso!!!!!!!!!!!!!!!!!!
E de repente acabou.
Pra onde foi a alma não se sabe
E, no plano da saudade,
O tilintar dos infindáveis relógios do tempo
São os estrondos das arrasadoras armas matadeiras
funcionando em plena e inaudível
fabricatividade

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Mais uma vez o final do ano se aproxima. Afora os distúrbios da panacéia consumista que invadem nossa vida de pequenos burgueses capitalistas, algo fica queimando internamente.

Lembro que quando criança não eram somente os presentes que me seduziam. Eram apenas coadjuvantes de algo muito mais belo. Os presentes apenas refletiam a alegria, a esperança, os abraços sinceros, as visitas fraternas... Tudo era visto através daquela pequena árvore de Natal.

Nem tudo é consumismo nessa época. Por esses dias, a caridade despretensiosa, as aspirações mais belas, os gestos mais nobres, a fé mais fidedigna ecoa pelos quatro cantos. Façamos desse momento, antes de tudo, um momento de reflexão. Reafirmando as convicções, celebrando o que foi conquistado e planejando o que ficou por ser feito.

Festejemos a certeza de que o homem não é um caso perdido no fim das contas.

Existem, é verdade, os que massacram povos indefesos. Os que em nome da liberdade espalham o terror e a servidão pelo mundo e, talvez pior ainda, os que cumprimentam estes sorridentes e com honras de Estado.

Existem... Existem e muitos!

Assassinos robotizados. Mas há ainda...

O falar sincero, o olhar gentil, o amar direto...

Há ainda... Os que dão a vida, não por si mas, por amor aos seus.

E, enquanto houverem homens e mulheres assim, a vida será sempre uma aventura que vale a pena viver.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Adiós, Fapita



Parece mentira, mas encerrei uma longa trajetória que parecia não ter fim. Confesso, ontem, em meio à prova, eu olhava pra Ane, buscando repartir os tantos sentimentos que naquele instante surgiam em mim e, de repente, me dava conta de que havia algo inflamado dentro do peito, e ele ia tomando conta, se espalhando, subindo pras idéias, atrapalhando tudo dentro da cabeça; ah, muita vontade de chorar. de chorar por tanta coisa, sabe. por tudo que eu deixei de fazer, de conhecer, de respirar, de dormir, de viajar, de aproveitar, de comer, de encontrar, para, enfim, estar ali - chegar ao último e verdadeiro dia de aula. E, então, não controlei e chorei. Chorei no fundo da sala. Chorei pra mim. Chorei pra minha mãe, pros meus amores tantos da minha vida. Chorei a emoção guardada. de represa pronta para abertura de comporta.

Depois de passados esses dias de provação, e fazendo um retrospecto dessa trajetória que se projeta agora, como um filme na minha frente, vejo quantos ontens ficaram para trás, quantos amanhãs encerrados dentro da morada uterina se foram; e então consigo lembrar exatamente daquele meu outro jeito que tinha,- ansioso, quando os meus olhos corriam embasbacados por completar todas aquelas cadeiras ainda desconhecidas e que vertiam em pergaminho sem-fim, na grade do comprovante de matrícula. E, hoje...
e hoje, finalmente, foram preenchidas até o último quadradinho de um papel timbrado.

Essa questão de se ver, de súbito, vivendo um momento sempre sonhado, riscado, contabilizado até a última gota espremida, é, sem dúvida, muuuuito louca. Mas muito louca mesmo. Isso, me faz ver que volátil é o tempo, essa migalha à nossa história; uma reles migalha, por mais que envolva uma mão cheinha da existência.

Nesses dois últimos semestres, andava muito cansada, nauseada, estressada, achando todo aquele catatau de conteúdo muito intelecto engessado pra minha cabeça já lotada e ávida por navegar n´outros mares; queria fazer outras coisas, - lides manuais, aventuras, voltar a dançar, escolher meu próprio livro, esquecer do mundo, das âncoras que me soterravam do céu, dos prazos cegos e suas conseqüências somáticas, das caudalosas leituras e de todos os comprometimentos que uma faculdade faz implicar.

Ao final desse ano de 2007, olho feito pássaro migratório para os tantos horizontes que começam a surgir adiante, e antes de alçar vôo nessas longínquas linhas, olho para mim, para mim nesse novo corpo, e então o vejo tão diferente, meio amorfo, talvez "encadeiradamente disforme" sejam as palavras certas para definir o esqueleto atacado de pelanca. É, o corpo pagou o preço por eu acreditar em um ideal secreto, acho, que surgido na tenra infância, e não levado tão a sério até o meu um quarto de século: de aprimorar a escrita; de perder o medo de assumir um jeito próprio de eternizar as idéias.

O tempo passou, cresci, e, vivaldina vivi. Todavia, lá pelos vinte dois, vinte quatro anos, ainda estava insatisfeita, pois percebia que eu era perna-bamba da metafísica; então vi - precisava aprender, mas aprender de verdade, aprender mais, com os grandes. Queria ter certezas. Certezas inabaláveis, de um certo James Bond ao meu modo na hora de mirar certeiro a letra. Escolhi Letras, óbvio. Baita curso (só para poderosos a serviço).

Depois de ter feito tanta coisa, estudado de tudo um pouco nessa vida, vejo nitidamente, não há curso que lapide melhor a linguagem do que essa faculdade. Hoje, acredito em mim, não mais temo se se faz assim ou assado, ou se escrever “isso” vai transmitir ulhas, fagulhas ou, vá saber se bulhufas. Hoje, posso dizer que sei de mim, do que a Mariana sente, e não tem erro; não é a gramática que vai desmerecer, dar rasteira; não é porque sou desvirgulada, ou ando torta das regências de Pasquale Neto da Academia de Deus, que deixarei de sentir pra narrar as coisas que eu sinto pulsantes, verdadeiras, vivas e muito, muito muito grandes, acima de todos protocolos de erudição. Hoje eu sei uma coisa nova, que nasceu há pouco: eu sei que agora eu sei saber de mim. As regras não mais maculam uma cápsula sequer das minhas idéias; e, simplesmente, porque elas nascem na vertente cava do coração. Eu meto a idéia, cunho o "mn" e assumo sem medo. Não mais me importam as referências, o não-agrado do mestre ou a nota hottest one. Não é isso que me constrói como ser. E, engraçado, justamente isso a faculdade me deu - uma espécie de coragem, de personalidade intelectual, mesmo que torpe em seu escopo.

É duro admitir, ainda mais porque "orgulho" é substantivo regente desse corpo diabolique, mas, ainda sim, admito:
Eu me encontrei me perdendo lá dentro. Valeu, e isso é baita arma. Conhecimento é munição portátil, bagagem invisível em qualquer alfândega do mundo e que ninguém pode tirar.



quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Pós-moderno



Ergue um pedestal e coloca teu ídolo de pedra


Estético, seletivo, hierático...


Tantas mazelas que endurecem as gentes!


Eu sigo: irônico, descrente, sem saco...


Do seu mundo plastificado na aparência
Hipócrita, cronomonetário, exático...


E quem se importa se você se importa
Com o que a gente sente?!


O nobre olhar da tua Deusa demoníaca
Transforma tudo em pedra


Pobres viventes... Ah, os viventes
Vomitam convuldisfunções cardíacas
Cospem promessas
(Outros idiotas adoram correr atrás destas)


Abraçam o vento
Apontam o dedo em outra direção...


Escarram-se em olhares sórdidos
Regurgitam sentimentos mórbidos


E não pensam
Como animais que são...

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Perder palavras - III

Tu passa dias e dias, toma grande parte da existência para dar vida às palavras, deixa de estar com pessoas, deixa de sair, de pegar um sol na pele; enfim, tudo para se dedicar a um grande propósito. E então, de repente, vupt! as escrituras se perdem.
Saibam, que essa tragédia é mais comum do que se pensa, e não acontece só com quem não faz back up no computador para se salvaguardar dessa obscura probabilidade.


O célebre dramaturgo Jean-Baptiste Molière (1622-1673), além de autor e ator de peças de teatro, era também um expert em cultura clássica, e passou alguns anos dedicando-se a uma tradução do livro Da Natureza das Coisas, do poeta latino Lucrécio. Molière era também um homem vaidoso, e não dispensava a peruca cacheada tão em moda na sua época. Um dia, porém, descobriu que seu criado vinha usando as páginas da sua tradução para fazer os rolos de papel necessários para manter a peruca em ordem. Enfurecido, queimou o resto das páginas e abandonou a tradução.


Bah, já pensou se é contigo?

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

O Segredo


O mistério do mundo me assombra...
O seu mísero desejo de consciência:
Ciência, racionalidade, conveniência...
A contingência da verdade!


Tudo do nada? E o nada de onde?
Evidente problema!
Pois que peguem seus tubos de ensaio joguem palavras ao vento
E que se forme um poema!!


Onde há mais verdade?
No trabalho da lavadeira, no genuflexório da rezadeira ou na lida do operário?


Talvez essa seja a verdadeira essência:
nenhum desejo de consciência!
Apenas a morte caindo implacável e serena do azul
Como a fluorescência dos astros
em noites estreladas...


Ah, aquela bela frase:
“Há mais verdades entre o céu e a terra do que julgam todas as filosofias...”
Ah, nossos tempos modernos inverteram a lógica em pura anacronia!

Pois se tu vivesses hoje em meio a cegueira dos iniciados escreveria:
“Há mais mentiras que verdades...”


Que continuem buscando a verdade em suas parcas teorias.
Nas religiões, Filosofias do mundo, nas ruas da cidade...
Jamais, nenhuma delas,
terão tanta verdade, nem tão pouco a seriedade,
das crianças quando brincam...

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Tons


Em cada dor: uma partida

Em cada cor: um recomeço

Em cada tom [eu reconheço]

A eterna mudança da vida...